sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CONVOCATÓRIA INTERNACIONAL


​CONVOCATÓRIA INTERNACIONAL 
FÓRUM DE PERFORMANCE 
PERFOR 5 ASSOCIAÇÃO
BRASIL PERFORMANCE
(for English scroll down)


PERFOR 5 – [quando?]
Agora é a memória. Percebemos hoje, mais do que nunca, a necessidade de compreendermos a nossa
relação com a história já que estamos rodeados de uma quantidade enorme de novos mecanismos de
registro e difusão de informação. Numa arte fugaz como a performance, a permanência tornase
uma
questão em vista das pressões mercadológicas e do próprio entendimento do que significa militar em
uma forma de arte centralizada no efêmero. Que consequências isto pode ter para a arte de ação?
Como se pode dialogar com os mecanismos de controle para que não capturem aquilo que funciona na“velocidade do escape”? O Perfor5 será uma ocasião para performar e pensar estes problemas. Para
interrogarnos
sobre o quando.

Sobre a Associação Brasil Performance
A Associação nasce em 2010, com a necessidade de dialogar com o meio cultural e artístico brasileiro e internacional, a fim de pensar e reivindicar incentivos duradouros para a performance no Brasil .Uma das tarefas da BrP, é o mapeamento da performance em São Paulo e no Brasil, necessidade evidenciada a partir das discussões dos Fóruns nas quais sempre se repetia a pergunta: quem somos? A BrP é uma associação sem fins lucrativos, aberta a todos, interessados, artistas e estudiosos da performance.

O quinto fórum de performance da BrP (Associação Brasil Performance), intitulado [quando?], será
realizado no contexto das atividades do evento MaPa Memória Paço das Artes uma iniciativa do
Paço das Artes com curadoria de Priscila Arantes. Durante os dias 14, 15 e 16 de novembro de 2014
Mesas de debate, Performances e uma Mostra de Microvídeos comporão a programação do Fórum,
tendo como questão central as possíveis relações entre performance e memória. Nesta quinta edição daremos continuidade à convocatória internacional. As inscrições vão de 09 de setembro a 05 de outubro. Para se inscrever é necessário ser sócio da BrP e estar em dia com suaanuidade conforme diretivas abaixo:

Política de sócios da BrP: Desde 2013 a BrP adota uma política de novos sócios para os aprovados
em suas convocatórias, que consiste em conceder a primeira anuidade gratuita caso seja selecionado.
Entretanto, no caso de artistas que participaram do Perfor4 e demais associados é necessário quitar sua anuidade para participar do evento. Dessa maneira,

 não associados: deverão prencher o formulário no link “Adesão/form to join the association”disponível neste Blog. Junto ao preenchimento do formulário constarão campos para a descrição do trabalho, rider técnico, links de trabalhos anteriores e mini CV (máximo 5 linhas);

associados:
enviar arquivo em PDF com descrição do trabalho proposto, rider técnico, links de
trabalhos anteriores e mini CV (máximo 5 linhas) para o email
brasilperformance@gmail.com;
Como assunto do email coloque: INSCRIÇÃO PERFOR 5 (nome do artista)


Critério de seleção
A organização do evento levará em consideração: 

  • a aderência ao tema do evento registro, memória, arquivo;
  • a viabilidade logística das performances;
  • número máximo de até 16 artistas aceitos;
A organização oferece
Carta para pedidos de auxilio viagem;

  • Ajuda logística (envolve: organização, montagem, acompanhamento do artista durante a ação);
  • certificado de participação;
  • registro audiovisual do trabalho;
  • hospedagem solidária;
  • anuidade gratuita para os novos sócios artistas participantes do PERFOR5;

Observações importantes

  • O evento não pagará cachê aos performances. Fica a cargo de cada artista outras despesas materiais necessários para o trabalho.
  • Os performers que participem do evento deverão assinar termos de responsabilidade e cessão de imagem que serão enviados posteriormente.

____________________________English version below______________________________



PERFOR 5 – [when?]

Now, it is memory . We realize today , more than ever , that we need to understand our relationship
with history. We are surrounded by a slew of new mechanisms for recording and spreading information. In a fleeting art field such as performance, events retention becomes an issue in light of market pressures and the understanding of what it means to work in an art form centered in the ephemeral . What consequences might this have for live art? In which ways can we establish a dialogue with the control mechanisms in order for them not to capture what works in the speedness of escape ? Perfor5 will be an opportunity to perform and think about these problems . To ask us [when?].

About the Brasil Performance Association
The Association started in 2010 with the necessity to establish a dialog with the artistc and cultural
scene in Brazil and abroad in order to claim longlasting incentives for the performance art in Brazil.
One of the Association’s tasks is mapping performance in São Paulo and in Brazil, a need made clear in the discussions and Forums in which a persistent question arose: who are we?
Brp is a nonprofit association, open to all who are interested in performance.

The 5th Forum of BrP (Performance Association Brazil) entitled [when?] will be held in the context of the activities of MaPa event (Memória Paço das Artes) an initiative of Paço da Artes under
curatorship of Priscila Arantes.On 14, 15, 16 November, 2014 there will be round tables, Performances and a Microvídeo show, centered on the question of the possible relationships between
performance and memory.
We will keep the international call in this 5th edition of Perfor. The deadline goes from September 9 to October 05, 2014. To register, you must be a member of BrP and keep up with your annuity policies as below:

BrP Association policies:
Since 2013, BrP is adopting a new policy for the artists approved in our
opencalls. Who is accepted for Perfor5 will receive a free association valid until november 2016. In the case of artists that already participated in Perfor4, and other members, these are kindly invited to pay their membership in other to participate in the event.

non members: fill the form in the link “Adesão/form to join the association” in BrP’s Blog
(brasilperformance.blogspot.com.br). You will find place for describing the work, techical rider,
previous works links and short CV (five lines maximum)

members:
please send us a PDF file with performance’s synopsis. technical rider, previous works, links and short CV (five lines maximum) to the email brasilperformance@gmail.com as subject please write: APPLICATION PERFOR 5 (artist name)

Selection Criteria

  • performaces that deal with the proposed theme of the event: Memory
  • logistic viability of the performance
  • maximum number no more than 16 works will be accepted.


The organization offers / can provide:
Official letter for artists who wish to apply for sponsorship
Logistic help (organizing, mounting, accompanying the artist)
Certificate
Video and Photo record of the performance
Solidary Accommodation
Annual membership annual fee for the artists who participate in Perfor4

Important Notices

  • The event will not pay the performers any fee/salary. All the expenses related to travel costs, health insurance, other expenses with accommodation and materials are the artist’s responsibility.
  • The performers who participate in the event will have to sign a Term of  Responsibility and a Term of Assignment of Use of Image Rights that will be sent later on. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Gerald Thomas - Entre dentes e Des pachos nas encruzilhadas e sobre a morte da confiança, os cegos e as dores de joelhos.

em construção...




"Não pode ser apenas a raiva que desperta a inútil dor ( a boca se fecha e cerra os dentes), talvez exista amor em algum lugar, mas a solidão é como uma faca afiada, onde nem eu nem você poderemos jamais voltar atrás, desde os dias mais sombrios e as falas mais tristes, desde o abandono, a falta, eu te perdoei diversas vezes, e fui surda para as suas mentiras e malcriações, eu pude ver o sol nascer e se por, e saber que você diz sempre a mesma coisa para todas as quais você usa, ousa, ultra passa a fronteira da morte."




Acordei cedo e na porta de casa um despacho, doze vela metade vermelha, metade preta, pinga, e muitas pimentas vermelhas...

Aquele dia era a última vez que eu iria ver a peça, o Gerald e tudo que acompanha essa longa historia de muita expectativa frustrada.
A feira gritava nos meus ouvidos, e o Lino que ainda não havia visto, me solicitava a presença, não tínhamos ingressos, mas sabíamos que alguma alma boa iria nos salvar, por acaso a Lívia tinha dois e me deu mais um... era a minha terceira vez, ali de frente pro Ney, que esta maravilhoso, e que me valia a pena repetir inúmeras vezes...
Aquele dia fatídico, me fez relembrar algumas entrevistas do Gerald, sobre a inveja e o ciúmes, porque a verdade é que finalmente eu entendia que Jamais, estou dizendo JAMAIS eu poderia alcançar a arrogância criada em torno da verdade do outro.
Entredentes me fez entender as relações humanas, o desprezo que existe entre as pessoas de classes sociais diferentes, a cultura da imbecilidade, e finalmente a doença como realmente ela é! As camadas basais, a vontade de viver, a fome e o útero, meu Deus esse céu estrelado e DEUS, porque sem tudo isso, sem essa humanidade e um pouco de raiva, eu não seria capaz de me ver no outro.
Porque quando a desgraça da humanidade vem em forma de bombas, a única coisa que nos resta e entrar pra dentro da terra, e talvez quem sabe entrar dentro de uma buceta gigantes, e virar feto. Afeto é o que nos falta.


Entredentes veio para me fazer enxergar que a vida não gira em torno dos umbigos mesmo que eles queiram, que no cotidiano as dores, e as encruzilhadas atingem mesmo as estrelas, e que neste chão, a terra grita a misericórdia de um cristo que já morreu e não volta mais.


Na casa de um judeu, na casa de um filho judeu, ele sabe que os seus morreram dentro de cabines de gás, e que mesmo sua mãe não sendo judia ele é, e corre em seu sangue, o povo a vida deste povo a milhões e milhões de anos, judeu verdadeiro? nunca pude entender. Travestis saltos altos, cocaína, bombas, dopaminados, minados... e como a soberba e ingratidão são pratos rasos, e continuamos na miséria, não artística, porque essa ´´e poço sem fundos, mas eu... sai da BRASIL e cruzei o céus pra ver Gerald, ainda bem que o Brasil da copa ressurgiu entre frangalhos, entre uma humanidade burra, que não entende nada, eu digo NADA de nada, somos mesmo um povo sem estudo, sem cultura, sem vontade, porque isso a gente ensina quando se é criança, é como treino... é como uma vontade que se ensina a ter, é como comer.


Foi mesmo uma beleza ver de forma tão intensa a vida diante dos meus olhos e melhor ainda ver o rancor, sair de dentro de mim, e tomar uma vontade de falar coisas que me faziam tanto sentido, o que eu fiz? há senti vontade de vomitar por semanas a fio, eu fiquei bem doente, eu nem existia, eu deixei de ser, eu nunca mais quis dançar, e me senti inútil e perdedora.


Cega? talvez! mas com muitas dores, achei que estava doente de novo, mas um dia acordei mais cedo, olhei no espelho e estou LINDA, JOVEM, e comecei a entender Etredentes, a casa, a vida e tudo que era possível diante das minhas lamentações, fui casada com um Marroquino, e esse homem judeu era a minha vista mais próxima de uma historia contada para arrancar fígados, rins e olhos, eu estive cega, cega de verdade, cega de nome, de corpo e de tudo que eu posso realizar, entredentes é tomados por todos que se veem que sabem que os povos, e que a cultura da guerra é inventada, não existe realidade que seja objetiva, a lente de aumento tomou forma, nunca mais eu vou ter medo, porque o medo trava, e mata, a guerra é interna e sanguinária, as pessoas morrem o tempo todo, e morrem em suas vontades, e morrem por não fazer, por não se aceitarem, por não viver o que lhes é dado.

De onde nascem os muros, as lamparinas, a luz e a escuridão completa, nascer é sair da caverna e ver aquilo que nunca antes teria visto...  se surpreender, porque quem nasce, nasce em relação a lua... Dùs na terra da luz (no sol) das estrelas cadentes, entredentes, céus e luas...

Nasci de novo depois de morrer no coma, em uma cama, jazem fetos de estrelas cadentes, entredentes, Ney nasce de novo, da morte, da cama de um hospital...

Não foi ele que esperou Godot, todos os outros esperavam Godot voltar da lua, e ele voltou de branco, bem acoplado com sua roupa especial para viagens sensoriais, existe sim vida após a morte.

Início de 2013 – a vida parecia mesmo um deserto, um dês animo, a vontade era fugir, ser artista, não ser artista, era o pão, a fome, o aluguel, os despachos, sim...  cada um a sua forma, coma sua farofa  e o tao ANGU.., a vontade de ter poder e não te ló, a vergonha de não ter superado o medo da A N G U S T I A... A solidão do quarto, da casa...  eu e você,  mixes da vida...  a gente que precisa se propagar, transcender a arte...

Eu disse categoricamente: Quero morrer!  Essa parte do texto, era a prova viva, de alguém buscando viver.

 Eu quero morre! Eu diria que a vida estava brincando comigo, e que do outro lado do Skype alguém me falar de Tanger, Marrocos,  air line, e eu apenas sorria... era muito divertido e de repente nunca mais eu poderia esquecer aquele dia.

E no muro todas minhas lamentações se transformavam, era uma energia imensurável, três filasa frente, aquela luz, as minhas lagrimas, finalmente GERALD, ontem eu senti, eu senti mesmo, eu estava ali, sorrindo, chorando, e amando cada minuto de arte, cada segundo que eu estava viva pra ver o sol do NEY nascer na luz, no buraco negro da vagina... aliás foi assim que a gente se conheceu, de uma poesia que levanta saias.. Didi esta vendo aquela luz lá fora, que me atrai, ela me chama... vc sente o que eu sinto...  (silencio) cada segundo da minha vida passou ali vrummmm....

 Fiquei muda, como alguém se perde na lua, usando um mapa... de verdade foi a maior emoção do mundo, dessas de arrepiar e tudo me foi vindo, mas eu sentia um mal estar, um medo imensurável, boicote, queria ser perdedora pra sempre, nunca ganhei nada, tudo na minha vida foi a custo de muito suor, e estava devendo meses e meses de aluguel, e o Ney estava bem, recomeçando a sua viagem...
A depressão arregaça com a cabeça, só conseguia pensar no modo mais fácil de acabar com a dor e a surpresa do merecimento, não ser digna de estar entre as estrelas cadentes, entredentes...
Estava lá quando seu nome ecoou como uma bomba na minha cabeça...

Sentia uma vontade de vomitar, eu estava em um momento lindo, mas eu não tinha mais você, eu estava a aprendendo a sofrer melhor, eu queria perdão... Precisei contar sobre isso, falar da dor da tristeza, que agente quer se jogar do prédio, que a gente quer cortar os pulsos... más tudo era tão estranho, um dia quando estava operando um câncer, eu só estava ali porque você me fez vontade de viver... Eu queria ver você de perto, era sonho, era vontade, eu já tinha sido perdidamente apaixonada...
Todos os santos, ano que vem vai chegar, e não posso ficar esperando... Me Perdoa, eu sou a perdedora...  Perdoa- me. Fui longe pra te achar. Reconsidere que não posso viver assim.

Entredentes é parte de mim, é parte de quem se identifica, é parte de quem quer ver seu sucesso, sua obra, e de alguma forma, fui curada de novo, dei tantas risadas que fui levada ao choro, viajei sem medo de nunca mais voltar, e vi nos olhos dos três um tesão imensurável, no corpo cansado e vivo de Ney.

Há Didi, me faz uma massagem nas costas... Stragon vc sempre diz a mesma coisa...

Eu queria tocar as suas costas Gerald, eu queria dizer coisas sem medo, eu queria dizer que sem Aroldo, sem você, minha vida fica sem graça... Eu estava achando graça da sua graça.

Finalmente a peça explode dentro de mim, bombas, e sangue corre nas minhas veias, eu nunca acreditei em milagres, mas eles existem, nossos santos fortes que nos salvem a imbecilidade... como me senti ... como eu sou humanamente burra... BUM BUm... meu super salto alto quebrou, era o melhor deles...

Não pude dormir, os olhos dos trê vibrava na minha cabeça, eu sentia que algo, dessa vez mudou, e que a arte cumpria seu papel fundamental, de mudar, transformar e tirar as ganâncias e maldades que impomos a nos mesmo.

EU TO VIVA! Eu não tenho mais pena de mim... desci correndo as escadas, correndo, como se tivesse descoberto um segredo, e era Gerald na minha memória.

 Didi, e Estragon se encontram... O bicho, a bicha, o pênis... cadê meu pau... onde anda o meu pau! (grita desesperadamente, dentro da sua cabeça)


Eu morri dias atrás, mas na encruzilhada, das coisas eu renasci, deletei o Skype e recomecei a viver, para aqueles que me amam, porque eu tenho algo que é segredo, que esta dentro de todos nos, mas que eu achei que eu não tivesse, e esse poder não posso revelar já que nas outras revelações eu fui usada, levada a crer, a acreditar.


Foi sim Ney, foi maravilhoso me ver em você e me sentir viva, e saber que nas minhas lamentações e orações, as encruzilhadas vão se cruzar, vou servir farofa, um ensopado e muito dendê.
Tudo esta velho, ontem já foi o novo e hoje, neste dia frio, eu acordei bem feliz, por me ver no espelho, e conseguir enxergar que vai baixar o santo e ele vem forte, e eu nunca vou atravancar nada, e esta tudo liberado, e a gente ainda vai ser muito feliz, neste chão de giz.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O poder da palavra e a superioridade do silêncio Por Kadu Santoro em 30/03/2014

O poder da palavra e a superioridade do silêncio

Por em 30/03/2014

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“Porque é segundo tuas palavras que serás justificado e é segundo tuas palavras que serás condenado.” Mt.12.37
O poder da palavra e a superioridade do silêncioAs palavras possuem enorme poder, através delas podemos edificar ou destruir, dar vida ou matar, alienar ou libertar, por isso, faz-se necessário antes refletirmos muito no que vamos pronunciar. É nesse exato momento de reflexão que o silêncio tem importância vital, permitindo que a nossa voz interior não nos deixe cometer equívocos e consequentemente pronunciamos palavras precipitadas que podem causar graves danos tanto em nossa vida quanto na do nosso próximo.
O silêncio é mais do que um ato de sabedoria, é uma disciplina urgente que a humanidade precisa desenvolver. Muitas vezes não atingimos nossas metas por intermédio do ato de falar. O silêncio, em grande parte de nossa vida é muito mais representativo e pode nos fazer atingir nossos objetivos de uma forma mais adequada. Através dele podemos expressar mais do que muitas palavras sem que isso signifique falta de capacidade ou conhecimento.
O silêncio sempre foi reverenciado e cultuado dentro das diversas tradições religiosas do mundo. No cristianismo monástico o silêncio no qual cada um de nós é convocado a entrar, é o silêncio eterno de Deus. Este silêncio pode ser encontrado no coração e cultivado através da disciplina da meditação. Na maioria das religiões espiritualistas, o silêncio é o caminho para a unidade, é através dele que descobrimos que a vida exterior e interior estão unificadas. Esse silêncio que precisamos desenvolver deve estar além de todas as palavras, ideias, pensamentos e imaginação, pois somente assim podemos sentir paz e liberdade.
A tradição bíblica judaica do Antigo Testamento nos mostra vários casos onde o silêncio foi fundamental para o êxito do povo eleito. Uma das grandes virtudes dos descendentes de Benjamim (filho de Jacó), era saber ficar em silêncio nos momentos certos. O rei Saul, escolhido como o primeiro rei de Israel, era descendente da tribo de Benjamim. Ele fez bom uso do silêncio, conforme consta na Tanach (bíblia hebraica). Quando o profeta Samuel comunicou-lhe que seria rei, ele não mudou seu comportamento e continuou sendo a mesma pessoa, não lhe subindo à cabeça o fato de ser o futuro rei, tanto que nem fez questão de contar a seus familiares.
Durante o período do Purim, em meio ao exílio persa, o povo de Israel também foi salvo devido ao silêncio da Rainha Ester, que obedecendo à ordem de Mordechay, não falou ao rei sobre suas origens. Tanto Mordechay quanto a rainha Ester eram também descendentes da tribo de Benjamim.
Em uma parashá (porção semanal de textos estudados na Torá), fala que após a tragédia que acarretou a morte de dois filhos de Aarão, este se silenciou, como relatado na Torá: “Vayomer Moshê El Aharon hu asher diber Hashem lemor bricovay ecadesh veal pene chol haám ecaved vaydom Aharon (Vaycrá 10:3) “E disse Moisés a Aarão: Isto é o que falou o Eterno dizendo: Por meus escolhidos me santificarei e perante todo o povo Eu serei glorificado. E calou-se Aarão.”. Segundo a sabedoria judaica, o difícil silêncio de Aarão, nesse momento de dor, demonstra conformismo e confiança na justiça divina, onde mais tarde esse seria recompensado com a visita do próprio Todo Poderoso.
Segundo outro sábio israelita, o Maharal de Praga zt”l, em seu livro Dêrech Hachayim, escreve que o poder da fala é um poder físico (do corpo) e o raciocínio é um poder espiritual. Estes dois fatores antagônicos não podem trabalhar simultaneamente dentro do indivíduo. Portanto, o silêncio é essencialmente importante para que possamos evitar erros e atitudes precipitadas, uma vez que quando falamos, estamos de certa forma, anulando o raciocínio. Mahatma Gandhi fala o mesmo na seguinte frase: “Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio.”
Mabel Collins em seu livro Luz no Caminho, diz: “Do seio do silêncio, que é a paz, uma voz ressoante se elevará. E esta voz dirá: Faz falta alguma coisa mais; tu colheste, agora tens que semear. E sabendo que esta voz é o silêncio mesmo, obedecerás. Tu que és agora um discípulo capaz de manter-te firme, capaz de ouvir, capaz de ver, capaz de falar, que venceste o desejo e obtiveste o conhecimento de ti mesmo; tu que viste a tua alma em sua flor e a reconheceste e que ouviste a voz do silêncio, encaminha-te ao Templo do Senhor e lê o que ali está escrito para ti.”. Analisando esse texto, entendo que ouvir a voz do silêncio, é compreender que a única direção verdadeira vem do interior, da intuição, da via do coração; encaminhar-se ao Templo do Saber, é entrar no estado em que é possível aprender verdadeiramente.
A superioridade do silêncio é demonstrada por Jesus perante Pilatos: “E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.” Mt. 27.12. “Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.” Mt. 27.14.
Para finalizar, lembro que muitas vezes, o silêncio fala mais do que muitas palavras, e através dele nos tornamos mais sensíveis, humildes e misericordiosos. Busque a disciplina do silêncio e verás como sua vida irá mudar para melhor, passando a ser um indivíduo mais equilibrado e seguro diante desse mundo conturbado e enloquecido em que vivemos atualmente.
*Kadu Santoro é teólogo consultor em espiritualidade, escritor, professor e pesquisador, residente na cidade do Rio de Janeiro, responsável pela publicação do Jornal Despertar, um informativo teológico e filosófico e do blog www.jornaldespertar.blogspot.com




 

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